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Como cientistas no Brasil desenvolveram um protótipo de chip quântico supercondutor

Desenvolvido em parceria entre a Unicamp e o CBPF, o dispositivo opera em temperaturas extremamente baixas e impulsiona a pesquisa tecnológica no país.

Redação Asteron (IA revisada)2 min de leitura

Uma colaboração científica entre o Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas, e o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas resultou na fabricação de um protótipo de chip quântico supercondutor. O dispositivo é considerado um avanço relevante para a infraestrutura científica do país, pois demonstra a capacidade de processar dados utilizando os princípios fundamentais da física quântica. O projeto recebeu financiamento e apoio de órgãos e empresas como a Fapesp, a Faperj e a Petrobras.

Como funciona o processamento quântico

Ao contrário dos processadores tradicionais, que trabalham apenas com bits representados por zeros e uns, o dispositivo brasileiro utiliza unidades chamadas qubits. Por meio de um fenômeno conhecido como superposição, o qubit consegue combinar os estados zero e um simultaneamente.

Para construir o circuito, os cientistas usaram estruturas de nióbio e junções Josephson de alumínio. A fabricação empregou técnicas de micro e nanofabricação similares às usadas na produção de chips semicondutores comuns.

O desafio da temperatura extrema

O funcionamento do componente exige condições físicas bastante severas. O chip precisa operar resfriado a cerca de 20 milikelvin, o que equivale a aproximadamente -273,13 °C, muito perto do zero absoluto. Além disso, o equipamento deve ficar totalmente protegido contra interferências eletromagnéticas para não desestabilizar os qubits.

Essas exigências mostram que a tecnologia é voltada para ambientes de laboratório altamente especializados, estando distante de virar um produto comercial de uso cotidiano.

Avanços na infraestrutura nacional

Após o anúncio do protótipo, a estrutura de pesquisa no país recebeu reforços significativos. Em 2023, o CBPF obteve R$ 19 milhões da Finep para construir o Laboratório de Tecnologias Quânticas (QuantumTec), inaugurado em junho de 2025. O espaço foi projetado para estudos sobre chips supercondutores, comunicação quântica e sensores.

No setor de software, em 2025 o CBPF deu destaque à criação da linguagem Ket para programação quântica, projeto que contou com a colaboração de pesquisadores associados à UFSC. Já em julho de 2026, a Unicamp e parceiros propuseram ao governo federal a criação de um polo nacional de tecnologias quânticas em Campinas.

Por que a tecnologia importa

A computação quântica é investigada para resolver problemas que desafiam os computadores normais. A longo prazo, a técnica pode ser usada para simular moléculas, criar novos materiais e auxiliar no desenvolvimento de medicamentos.

Para o Brasil, dominar a fabricação desses componentes ajuda a formar profissionais qualificados e reduz a dependência de conhecimento estrangeiro em um setor estratégico.

O que observar daqui para frente

Os próximos passos da pesquisa nacional dependem da continuidade dos investimentos e da capacidade de superar gargalos complexos. Será preciso acompanhar quantos dispositivos o país conseguirá fabricar com regularidade, o avanço no controle de erros dos qubits e a criação de pontes efetivas entre a produção científica dos laboratórios e a indústria brasileira.

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